segunda-feira, 15 de junho de 2009

A crise nos salvará

“Para se fazer um bom café, é preciso estressar a planta, ela precisa viver uma crise que a faça acreditar que vá morrer e assim gerar boas sementes”. A natureza usa a crise como elemento transformador de qualidade. Os frutos saem melhores o quão mais forte for a percepção da crise.Isso nos exercita, nos dá musculatura para encarar melhor os desafios e talvez ser mais criativos, mais eficientes, mais ousados.
A origem mais profunda dessa crise é remota e se baseia em um processo de aceleração de consumo que o mundo passou a viver em algum momento dos anos 70. Passamos a consumir como sociedade em uma velocidade que não mais se apresentou como sustentável. Essa aceleração tem um poder entorpecente, pois cria um estado de ansiedade que não permite que nada se defina como detalhe, pois o movimento estabelece um ritmo que ofusca a percepção e torna a razão secundária. Nos últimos anos o que mais se falou sobre como o tempo passava rápido, mas o que essa afirmação traduzia era que vivíamos um processo de aceleração onde não mais conseguíamos entender o estado de nossa inércia.
O problema é que o futuro chegou e descobrimos que ele não estava mais lá, já o havíamos comido no passado. Aí vem a desaceleração, a perda da velocidade da velocidade. Desaceleração não é uma coisa essencialmente ruim. Em muitos aspectos ela nos dá a oportunidade de rever valores, refletir sobre os rumos e redirecionar destinos. As crises podem ser decantadoras, elas nos fazem agir e não mais procrastinar. Ela torna a mudança um imperativo, ela desconforta as pessoas e permite que a incerteza seja enfrentada com coragem.
O consumo desenfreado de recursos naturais abriu um precedente de descompasso entre homem e meio ambiente; a crise é uma impressionante oportunidade de consenso nesse campo. Ficou claro para todos que não existe solução isolada para nenhum país ou sociedade; o precedente de uma busca de solução coletiva para a crise é base que precisávamos para buscar pactos para os problemas que temos criado. O mundo precisa abandonar a mentalidade de clube pensar como comunidade. A crise incita a isso.
A crise abre uma oportunidade de pacificar, de esticar a mão e estabelecer pontes de compreensão e entendimento onde antes não ousaríamos adentrar. A crise tem o poder de fertilizar as sombras da sociedade ao deixar expor suas vulnerabilidades. Crise é transformação.

*este texto ciculará no Caderno ZH, 26 de junho, num especial que fiz sobre "empreendedorismo", peguei um gancho no Especial que a Revista Trip fez mes passado sobre a crise. O Título original é A crise poderá nos salvar. Mas ai já obtive resposta

Um comentário:

Giordano Bruno disse...

É esse tipo de coisa que me faz ter orgulho de ter estudado contigo guria!! hehehe
Abraços!