este é um blog totalmente singular, egoísta, exclusivista. Nao espero aprovaçao, fas, aplausos. Escrevo porque considero isto o que faço de melhor. Bem, uma das coisas.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Nem é tão grave
Vou falar com o pastor essa semana e por isso resolvi escrever aqui para ver o que é que vou falar já que não sei ao certo porque quero falar com ele.
Vou falar o que?Sabe que falar com pastor é melhor do que falar com o terapeuta, porque ele te escuta e como há mais loucos dentro da igreja do que em qualquer outro lugar, ele nem acha mais tua loucura tanta loucura assim. E ainda ora na tua cabeça depois. E funciona.
O fato é que desde 2007 minha vida deu uma virada tão grande tantas vezes que eu nem sei mais o que sou, quem eu sou, do que gosto, o que quero, mas continuo acreditando. Acredito sem vontade de acreditar em nada, essa é a verdade. Vou lá e saio bem melhor, isto é fato. Com a alma tranquila, espírito quieto, e na verdade, tenho estado muito mais tranquila do que antes, quer dizer, não preciso mais tomar Rivotril pra dormir, como o ano passado quando voltei de Porto Alegre pela quarta vez eu acho. Era tanto Rivotril por noite que minha mãe resolveu substituir por água e no efeito placebo me alegrava ainda mais.
O fato é que a Igreja me desconverteu um pouco, trabalhar lá dentro fez isso com meu coração, mas ainda preciso estar lá dentro, porque é o único lugar onde sinto verdadeira paz. Não tenho amigos na Igreja, porque já desisti das pessoas faz tempo, relutei, relutei, mas acabei me tornando o ser mais anti-social que conheço, não tenho paciência pra ninguém, com exceção da Valentina, mas também não espero que as pessoas tenham paciência alguma com as loucuras minhas.
Aliás, quase nos 30, minha mãe me disse: "você não é louca, é sem-vergonha". Pode ser.
Tudo pode ser, até a piranha da minha ex-melhor amiga que , como não conseguiu roubar meu ex-namorado-perfeito e louco resolveu atacar no meu ex-emprego, mas tá tudo bem, porque o ser humano sempre acaba se entregando no seu "ato falho". A gente pode dizer que não quer, que está tudo bem, que não vai mais jogar tudo pro alto e ir atrás do namorado-que -quase-te-enlouqueceu, que sua família é perfeita, que mais um pouco tudo se resolve, que está tudo em ordem, que o dinheiro vai reaparecer, mas a gente sempre acaba se entregando no maldito ato falho que Freud explicava como ninguém. E como o Breno sempre dizia "ela não é tua amiga", então eu já sabia. A vida dá sinais, a gente é que não presta atenção.
Como eu sempre sei, não adianta me enganar, sei que no fundo continuo a mesma menina de 15 anos atrás, só que agora com preocupações adultas, com contas pra pagar, preocupada com a educação da minha filha, com a próxima barba que irá raspar meu rosto e o próximo louco que vai me enlouquecer e vai deixar eu fazer deixar tudo pra trás de novo? Preciso acreditar que isso não vai acontecer, porque me coloquei uma prioridade, EU, eu sou minha prioridade e ficar bem a todo custo também é. Cuidar muito da minha filha que está uma Fernandinha em miniatura, mas como eu disse, tá tudo bem.
Vou encontrar meu caminho e a Valentina também vai.
Num mundo em que todo mundo toma antidepressivo e ansiolítico para parecer normal, para aguentar o tranco, eu me orgulho de não tomar droga nenhuma, então escrever um texto que não parece tão coerente como deveria, nem é tão grave.
E eu só tenho me preocupado em parecer ao menos um pouco normal, sem meus anseios que quase rasgam meu peito.
Vou falar o que?Sabe que falar com pastor é melhor do que falar com o terapeuta, porque ele te escuta e como há mais loucos dentro da igreja do que em qualquer outro lugar, ele nem acha mais tua loucura tanta loucura assim. E ainda ora na tua cabeça depois. E funciona.
O fato é que desde 2007 minha vida deu uma virada tão grande tantas vezes que eu nem sei mais o que sou, quem eu sou, do que gosto, o que quero, mas continuo acreditando. Acredito sem vontade de acreditar em nada, essa é a verdade. Vou lá e saio bem melhor, isto é fato. Com a alma tranquila, espírito quieto, e na verdade, tenho estado muito mais tranquila do que antes, quer dizer, não preciso mais tomar Rivotril pra dormir, como o ano passado quando voltei de Porto Alegre pela quarta vez eu acho. Era tanto Rivotril por noite que minha mãe resolveu substituir por água e no efeito placebo me alegrava ainda mais.
O fato é que a Igreja me desconverteu um pouco, trabalhar lá dentro fez isso com meu coração, mas ainda preciso estar lá dentro, porque é o único lugar onde sinto verdadeira paz. Não tenho amigos na Igreja, porque já desisti das pessoas faz tempo, relutei, relutei, mas acabei me tornando o ser mais anti-social que conheço, não tenho paciência pra ninguém, com exceção da Valentina, mas também não espero que as pessoas tenham paciência alguma com as loucuras minhas.
Aliás, quase nos 30, minha mãe me disse: "você não é louca, é sem-vergonha". Pode ser.
Tudo pode ser, até a piranha da minha ex-melhor amiga que , como não conseguiu roubar meu ex-namorado-perfeito e louco resolveu atacar no meu ex-emprego, mas tá tudo bem, porque o ser humano sempre acaba se entregando no seu "ato falho". A gente pode dizer que não quer, que está tudo bem, que não vai mais jogar tudo pro alto e ir atrás do namorado-que -quase-te-enlouqueceu, que sua família é perfeita, que mais um pouco tudo se resolve, que está tudo em ordem, que o dinheiro vai reaparecer, mas a gente sempre acaba se entregando no maldito ato falho que Freud explicava como ninguém. E como o Breno sempre dizia "ela não é tua amiga", então eu já sabia. A vida dá sinais, a gente é que não presta atenção.
Como eu sempre sei, não adianta me enganar, sei que no fundo continuo a mesma menina de 15 anos atrás, só que agora com preocupações adultas, com contas pra pagar, preocupada com a educação da minha filha, com a próxima barba que irá raspar meu rosto e o próximo louco que vai me enlouquecer e vai deixar eu fazer deixar tudo pra trás de novo? Preciso acreditar que isso não vai acontecer, porque me coloquei uma prioridade, EU, eu sou minha prioridade e ficar bem a todo custo também é. Cuidar muito da minha filha que está uma Fernandinha em miniatura, mas como eu disse, tá tudo bem.
Vou encontrar meu caminho e a Valentina também vai.
Num mundo em que todo mundo toma antidepressivo e ansiolítico para parecer normal, para aguentar o tranco, eu me orgulho de não tomar droga nenhuma, então escrever um texto que não parece tão coerente como deveria, nem é tão grave.
E eu só tenho me preocupado em parecer ao menos um pouco normal, sem meus anseios que quase rasgam meu peito.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
É tudo que eu não quero
Um sentimento estranho tem tomado conta de mim nos ultimos meses movido pela estranha percepção de alteraçoes nas relações de meu convívio.
Neste ano, muitas de minhas amigas casaram ou estão casando. Outras engravidaram, posso dizer que a maioria decidiu engravidar este ano.
Esses acontecimentos mudam a vida de qualquer pessoa.
É estranho porque minha filha não é mais criança. Já passei por isto.
E acabo de me recuperar do final de um relacionamento que foi praticamente um casamento.
Andei uns dias me sentindo um tanto fracassada na medida em que comparava minha vida sentimental com as de minhas amigas e conhecidas. Afinal, estar solteira nos ultimos meses tem sido mais do que uma opção diante de várias decepções e de já ter acreditado muito no amor.
Continuo acreditando. Mas ainda não encontrei um fórmula para que as coisas, pelo menos no sentido sentimental funcionem.
A cada dia que passa, a cada preparativo do casamento da minha irmã, a cada queixa de amigas casadas, o que eu quero é distância dos modelos de relacionamento que eu vejo. Um quer que a mulher emagreça, outro quer que ela alise os cabelos, outro trabalha demais e não tem tempo para a respectiva, ela não pode ir ao cinema com as amigas, uma vida totalmente do lar, cuidado com as despesas.
Dedicação total, 24 horas por dia.
Claro que observo momentos felizes também.
Mas, hoje menos carente, mais segura do que quero, eu posso dizer. EU NÃO QUERO isto pra minha vida.
Neste ano, muitas de minhas amigas casaram ou estão casando. Outras engravidaram, posso dizer que a maioria decidiu engravidar este ano.
Esses acontecimentos mudam a vida de qualquer pessoa.
É estranho porque minha filha não é mais criança. Já passei por isto.
E acabo de me recuperar do final de um relacionamento que foi praticamente um casamento.
Andei uns dias me sentindo um tanto fracassada na medida em que comparava minha vida sentimental com as de minhas amigas e conhecidas. Afinal, estar solteira nos ultimos meses tem sido mais do que uma opção diante de várias decepções e de já ter acreditado muito no amor.
Continuo acreditando. Mas ainda não encontrei um fórmula para que as coisas, pelo menos no sentido sentimental funcionem.
A cada dia que passa, a cada preparativo do casamento da minha irmã, a cada queixa de amigas casadas, o que eu quero é distância dos modelos de relacionamento que eu vejo. Um quer que a mulher emagreça, outro quer que ela alise os cabelos, outro trabalha demais e não tem tempo para a respectiva, ela não pode ir ao cinema com as amigas, uma vida totalmente do lar, cuidado com as despesas.
Dedicação total, 24 horas por dia.
Claro que observo momentos felizes também.
Mas, hoje menos carente, mais segura do que quero, eu posso dizer. EU NÃO QUERO isto pra minha vida.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Linda
Fiquei me achando a maior ranzinza com o último post, e mesmo que ninguém leia me preocupo, porque em geral sou uma pessoa encantada com a vida, com os desafios que ela proporciona, e mesmo nos momentos de difíceis batalhas uma confiança pacífica toma conta de mim.
Confiança que vem do Alto, de Deus mesmo, de se sentir acolhida e protegida por Ele.
E agora tu veja, sentei aqui para escrever sobre sexo, porque na última roda de chimarrão na praça, meus amigos comentaram "a Fernanda escreve muito bem, mas ela só escreve de sexo".Risos.
Devem estar se referindo aos textos antigos, mas aí resolvi que ia postar sobre isto, sexo, porque escrevo com imensa liberdade e prazer sobre o tema e acabei nestas pequenas linhas.
Quero dizer que desejo paz aos corações, confiança, serenidade,coragem, liberdade de ser, agir, pensar....Um beijo
Confiança que vem do Alto, de Deus mesmo, de se sentir acolhida e protegida por Ele.
E agora tu veja, sentei aqui para escrever sobre sexo, porque na última roda de chimarrão na praça, meus amigos comentaram "a Fernanda escreve muito bem, mas ela só escreve de sexo".Risos.
Devem estar se referindo aos textos antigos, mas aí resolvi que ia postar sobre isto, sexo, porque escrevo com imensa liberdade e prazer sobre o tema e acabei nestas pequenas linhas.
Quero dizer que desejo paz aos corações, confiança, serenidade,coragem, liberdade de ser, agir, pensar....Um beijo
segunda-feira, 15 de junho de 2009
A crise nos salvará
“Para se fazer um bom café, é preciso estressar a planta, ela precisa viver uma crise que a faça acreditar que vá morrer e assim gerar boas sementes”. A natureza usa a crise como elemento transformador de qualidade. Os frutos saem melhores o quão mais forte for a percepção da crise.Isso nos exercita, nos dá musculatura para encarar melhor os desafios e talvez ser mais criativos, mais eficientes, mais ousados.
A origem mais profunda dessa crise é remota e se baseia em um processo de aceleração de consumo que o mundo passou a viver em algum momento dos anos 70. Passamos a consumir como sociedade em uma velocidade que não mais se apresentou como sustentável. Essa aceleração tem um poder entorpecente, pois cria um estado de ansiedade que não permite que nada se defina como detalhe, pois o movimento estabelece um ritmo que ofusca a percepção e torna a razão secundária. Nos últimos anos o que mais se falou sobre como o tempo passava rápido, mas o que essa afirmação traduzia era que vivíamos um processo de aceleração onde não mais conseguíamos entender o estado de nossa inércia.
O problema é que o futuro chegou e descobrimos que ele não estava mais lá, já o havíamos comido no passado. Aí vem a desaceleração, a perda da velocidade da velocidade. Desaceleração não é uma coisa essencialmente ruim. Em muitos aspectos ela nos dá a oportunidade de rever valores, refletir sobre os rumos e redirecionar destinos. As crises podem ser decantadoras, elas nos fazem agir e não mais procrastinar. Ela torna a mudança um imperativo, ela desconforta as pessoas e permite que a incerteza seja enfrentada com coragem.
O consumo desenfreado de recursos naturais abriu um precedente de descompasso entre homem e meio ambiente; a crise é uma impressionante oportunidade de consenso nesse campo. Ficou claro para todos que não existe solução isolada para nenhum país ou sociedade; o precedente de uma busca de solução coletiva para a crise é base que precisávamos para buscar pactos para os problemas que temos criado. O mundo precisa abandonar a mentalidade de clube pensar como comunidade. A crise incita a isso.
A crise abre uma oportunidade de pacificar, de esticar a mão e estabelecer pontes de compreensão e entendimento onde antes não ousaríamos adentrar. A crise tem o poder de fertilizar as sombras da sociedade ao deixar expor suas vulnerabilidades. Crise é transformação.
*este texto ciculará no Caderno ZH, 26 de junho, num especial que fiz sobre "empreendedorismo", peguei um gancho no Especial que a Revista Trip fez mes passado sobre a crise. O Título original é A crise poderá nos salvar. Mas ai já obtive resposta
A origem mais profunda dessa crise é remota e se baseia em um processo de aceleração de consumo que o mundo passou a viver em algum momento dos anos 70. Passamos a consumir como sociedade em uma velocidade que não mais se apresentou como sustentável. Essa aceleração tem um poder entorpecente, pois cria um estado de ansiedade que não permite que nada se defina como detalhe, pois o movimento estabelece um ritmo que ofusca a percepção e torna a razão secundária. Nos últimos anos o que mais se falou sobre como o tempo passava rápido, mas o que essa afirmação traduzia era que vivíamos um processo de aceleração onde não mais conseguíamos entender o estado de nossa inércia.
O problema é que o futuro chegou e descobrimos que ele não estava mais lá, já o havíamos comido no passado. Aí vem a desaceleração, a perda da velocidade da velocidade. Desaceleração não é uma coisa essencialmente ruim. Em muitos aspectos ela nos dá a oportunidade de rever valores, refletir sobre os rumos e redirecionar destinos. As crises podem ser decantadoras, elas nos fazem agir e não mais procrastinar. Ela torna a mudança um imperativo, ela desconforta as pessoas e permite que a incerteza seja enfrentada com coragem.
O consumo desenfreado de recursos naturais abriu um precedente de descompasso entre homem e meio ambiente; a crise é uma impressionante oportunidade de consenso nesse campo. Ficou claro para todos que não existe solução isolada para nenhum país ou sociedade; o precedente de uma busca de solução coletiva para a crise é base que precisávamos para buscar pactos para os problemas que temos criado. O mundo precisa abandonar a mentalidade de clube pensar como comunidade. A crise incita a isso.
A crise abre uma oportunidade de pacificar, de esticar a mão e estabelecer pontes de compreensão e entendimento onde antes não ousaríamos adentrar. A crise tem o poder de fertilizar as sombras da sociedade ao deixar expor suas vulnerabilidades. Crise é transformação.
*este texto ciculará no Caderno ZH, 26 de junho, num especial que fiz sobre "empreendedorismo", peguei um gancho no Especial que a Revista Trip fez mes passado sobre a crise. O Título original é A crise poderá nos salvar. Mas ai já obtive resposta
sábado, 13 de dezembro de 2008
Ele não desistiu de voar
Não vou colocar título aqui, porque não sei nem sobre o que vou escrever. Todos os dias uma vontade louca de escrever me invade, toma conta de mim e não consigo escrever, e me assombram pensamentos de que não sei mais escrever, de que nunca soube.
Aí lembro da minha professora da primeira série do ensino fundamental encantada com meus textos. Aí tento me convencer de que sou boa nisso. De que não sei apenas fazer textos técnicos, textos para ganhar dinheiro.
De que sempre acreditei nisso, mas de repente tudo em que sempre acreditei me faz sentir estranha, me faz sentir em outro plano , me faz desejar ser outra pessoa, e sempre gostei tanto de ser eu.
Gostei sempre do desafio, porque uma vez a Valentina me fez refletir sobre um sentimento latente dentro de mim, ela disse assim para uma amiga minha, que hoje nem é mais amiga. "Tu pensa que é fácil ser filha da Fernanda? Não é Não!" Ela devia ter uns 6,7 anos quando disse isso a tal amiga e foi um choque para mim. Isso me fez avaliar e chegar a duas constatações que eu já tinha chego "não sou uma boa mãe!" e "não é fácil ser eu, não é fácil fazer sua vida baseada única e exclusivamente nos desejos do seu coração".
Sou muito egoísta para ser mãe, mas não sou egoísta no sentido de ser "apegada", pelo contrário, a cada dia estou mais desapegada das coisas, sei perder com tranquilidade, sei deixar para trás aquilo que me faz mal, ou aquilo que me faz bem, porque nem sempre minhas escolhas são baseadas "no que me faz bem", no que é politicamente correto. Sei abandonar. Sei sangrar.
E é justamente nesse sentido que não estou me reconhecendo. Dizem que o dever maior dos pais é ensinar a "criar raízes e voar" , mas me ensinaram apenas a criar raízes e tive que aprender o difícil ofício de voar sozinha.
Isso me lembra um outro epísódio. Um passarinho, filhote de Quero-Quero caiu de uma das árvores do pomar aqui de casa num desses temporais e ele estava aprendendo a voar. Com a queda ele ficou perdido, e ao mesmo tempo em que tentávamos recolocar ele e o ninho na árvore, ele se atirava de novo, numa sequência terrível que durou horas e dias. Mudamos o ninho de árvore, os pais dele andavam cercando a gente e só observavam. Numa das noites, o passarinho dormiu aqui dentro de casa, dentro de uma caixa de papelão semi-aberta e meus pais emprestaram o quarto deles para que os pais dele pudessem visitá-lo, pela janela, com tranquilidade e não abandonar o filhote.
Coisa de gente especial.
No dia seguinte, colocamos ele novamente na árvore. Mas, quando fomos vê-lo a tarde, ele havia morrido. Não sei se os pais o mataram, nunca ficamos sabendo o que aconteceu.
Mas, o que ficou na minha recordação é que em nenhum momento ele desistiu de aprender a voar, mesmo machucado, mesmo carente de seus pais, mesmo fora do lugar de onde deveria estar, ele continuava na tentativa de alcançar um vôo mais alto.
E eu sou assim, o tempo todo.
Não deve ser muito fácil ser minha filha, nem minha mãe, nem meu namorado, nem meu amigo.
A Valentina tem razão, como sempre.
Peço somente a sabedoria de saber a direção e a força de saber levantar toda vez em que cair da árvore.
Aí lembro da minha professora da primeira série do ensino fundamental encantada com meus textos. Aí tento me convencer de que sou boa nisso. De que não sei apenas fazer textos técnicos, textos para ganhar dinheiro.
De que sempre acreditei nisso, mas de repente tudo em que sempre acreditei me faz sentir estranha, me faz sentir em outro plano , me faz desejar ser outra pessoa, e sempre gostei tanto de ser eu.
Gostei sempre do desafio, porque uma vez a Valentina me fez refletir sobre um sentimento latente dentro de mim, ela disse assim para uma amiga minha, que hoje nem é mais amiga. "Tu pensa que é fácil ser filha da Fernanda? Não é Não!" Ela devia ter uns 6,7 anos quando disse isso a tal amiga e foi um choque para mim. Isso me fez avaliar e chegar a duas constatações que eu já tinha chego "não sou uma boa mãe!" e "não é fácil ser eu, não é fácil fazer sua vida baseada única e exclusivamente nos desejos do seu coração".
Sou muito egoísta para ser mãe, mas não sou egoísta no sentido de ser "apegada", pelo contrário, a cada dia estou mais desapegada das coisas, sei perder com tranquilidade, sei deixar para trás aquilo que me faz mal, ou aquilo que me faz bem, porque nem sempre minhas escolhas são baseadas "no que me faz bem", no que é politicamente correto. Sei abandonar. Sei sangrar.
E é justamente nesse sentido que não estou me reconhecendo. Dizem que o dever maior dos pais é ensinar a "criar raízes e voar" , mas me ensinaram apenas a criar raízes e tive que aprender o difícil ofício de voar sozinha.
Isso me lembra um outro epísódio. Um passarinho, filhote de Quero-Quero caiu de uma das árvores do pomar aqui de casa num desses temporais e ele estava aprendendo a voar. Com a queda ele ficou perdido, e ao mesmo tempo em que tentávamos recolocar ele e o ninho na árvore, ele se atirava de novo, numa sequência terrível que durou horas e dias. Mudamos o ninho de árvore, os pais dele andavam cercando a gente e só observavam. Numa das noites, o passarinho dormiu aqui dentro de casa, dentro de uma caixa de papelão semi-aberta e meus pais emprestaram o quarto deles para que os pais dele pudessem visitá-lo, pela janela, com tranquilidade e não abandonar o filhote.
Coisa de gente especial.
No dia seguinte, colocamos ele novamente na árvore. Mas, quando fomos vê-lo a tarde, ele havia morrido. Não sei se os pais o mataram, nunca ficamos sabendo o que aconteceu.
Mas, o que ficou na minha recordação é que em nenhum momento ele desistiu de aprender a voar, mesmo machucado, mesmo carente de seus pais, mesmo fora do lugar de onde deveria estar, ele continuava na tentativa de alcançar um vôo mais alto.
E eu sou assim, o tempo todo.
Não deve ser muito fácil ser minha filha, nem minha mãe, nem meu namorado, nem meu amigo.
A Valentina tem razão, como sempre.
Peço somente a sabedoria de saber a direção e a força de saber levantar toda vez em que cair da árvore.
Assinar:
Postagens (Atom)