terça-feira, 6 de maio de 2008

Impressoes

Eu nao mudo de opiniao facilmente. Mas reconheço quando erro. Partir de Florianópolis nao foi uma decisao pensada. Foi uma urgencia, foi preciso, foi para melhor. No entato, o encanto daqueles ares, daquela ilha, age sobre mim ha muito tempo. Nao foi amor a primeira vista, porque já fazia muitos anos que eu conhecia a cidade. Mas veranear lá é uma coisa, morar é bem diferente. E muito melhor.
Entao, quando cheguei a Porto Alegre a nove meses, eu simplesmente queria ir embora correndo de volta, eu nao gostava de nada, nao gostava das pessoas daqui, nao gostava do cheiro daqui, nao suportava este centro pior que aquele que encontramos nos centros comerciais do Paraguai, nao gostava do estilo das meninas se vestirem, tudo parecia forçado demais. O cheiro perturbava, pertubarva abrir a janela e nao ouvir o mar, mas sim o barulho das buzinas, olhar este amontoado de prédios, nada de verde, nada familiar. Eu queria sumir daqui, apesar de tudo de bom que estava acontecendo, afinal eu estava caminhando para minhas conquistas, estava mais perto da minha família.
Entretanto, eu tive que engolir a cidade.E essa digestao foi tao longa, que mais pareceu uma gestaçao.
Posso dizer que esta foi a gestaçao mais difícil da minha vida.
Parir amor por Porto Alegre foi visceralmente mais dolorido do que parir minha filha Valentina.
Até porque fui jogada aqui, fui chamada para cá as pressas. Nao, isto nao é uma reclamaçao.
Só para que entendam, meu auto-exílio na Barra, Barra da Lagoa Florianópolis, me proporcionou muito mais do que conhecimento, auto-conhecimento, qualidade de vida, uma paixao incrível que transferiu-se para cá e depois acabou, fim de amizades e início de outras. Saudades.
Para ficar mais específico posso contar um fato que ocorreu quando estava trabalhando para um jornal local, o Jornal da Lagoa. Precisei fazer uma reportagem sobre a "pesca da Tainha", tradicional festa, onde a a ilha toda se desloca para a praia da Barra e que jé faz parte do folclore de Floripa a muitos anos. Neste trabalho, fiquei vários dias acordando cedo, quase de madrugada, para conhecer o dia-a-dia dos pescadores, como eles se preparavam para a chegada dos peixes, como sabiam a hora de sair com o barco, onde ficavam os olheiros dos cardumes, quem ficava responsável pela comida. Sim , porque na comunidade se conheciam a anos e viviam como uma família. Nao existia ali ninguém que nao fosse da Ilha, manézinho. Eu acompanhava tudo com a máquina fotográfica e o gravador na mao. Hospitalidade nunca vi igual, nem de meus irmaos gaúchos. O detalhe é que quando cheguei me falaram para me cuidar com os pescadores, pois eu adquiri nesta época o costume de caminhar da Barra a Moçambique e me disseram que eles era perigosos. Chego a rir neste momento.
No entanto, enquanto estive entre eles, e sabia que nao era apenas por causa da reportagem, fui muito querida entre todos. Era a unica mulher no local. Mais uns sessenta homens envolvidos na arte da pesca artesanal, muito rara nos dias de hoje.
Lá pelo terceiro dia, apesar de ter aprendido muito nesta uma semana em que convivi com aqueles simples pescadores, um deles me perguntou, para minha surpresa, a quanto tempo eu trabalhava no jornal da Lagoa. Explicaçoes a parte, fiquei emocionada quando eles me olharam horrorizados com a declaraçao de que eu era gaúcha. Sim, gaúcha de Passo Fundo respondo. O chefe deles, nao recordo o nome, me fala "Nao parece, tinha certeza de que voce era uma manézinha, como nós. Todos olhando, desconfiados, e ele completa, agora é".
Nao explico mais nada. Qualquer pessoa com um mínimo de sensiblidade entende o que ocorreu.
Eu amei tanto Florianópolis, tanto aquele ar, aquelas paisagens, aquelas pessoas, que me fundi com o ar que respirava. Nao apenas a Barra, mas a temporada em que morei na Lagoa da Conceiçao também.
Nunca deixei de me orgulhar das minhas raízes, mas como um manézinho poderia me identificar com as moradoras dali se eu nunca perdi este forte sotaque do interior do meu Rio Grande amado. Foi o amor por aquele lugar que ele enxergou em meus olhos.
É este amor que ainda vive e que me faz sair correndo para lá por qualquer motivo, a qualquer feriado ou folga mais prolongada. Era a falta deste amor que sofri, por isso nao conseguia amar Porto Alegre.
Mas, este amor ,depois de nove meses veio. Nasceu. Nao sei porque, nem por onde, nao existe motivo específico, nao existem argumentos. Como um amor deve ser. Um amor de verdade nao precisa se justificar. E agora posso dizer que existem duas cidades no mundo onde me sinto em casa, Porto Alegre e Florianópolis. Porque minha casa de verdade, ainda é a minha eterna procura.

2 comentários:

ALAN BAYER disse...

OIE FÊ GOSTEII TORNEI UM LEITOR DE CARTERINHA
ABRAÇOO BJU SUCESSO!!!

Butterfly disse...

OI MULHER!!!

COMO SEMPRE, ME EMICIONO CADA VEZ QUE LEIO UMA CÔNICA TUA. JÁ SOU TUA FÃ HÁ TEMPOS...

BJS!
SAUDADES!!!

aline consentins