quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Muita correria.Muito trabalho e ainda nem começou e o "pega pra capá"
Bem, experiência nova, a cidade é meio sem graça, mas meus colegas de traballho são ótimos, uma carioca, dois manézinhos, outro carioca e uma daqui mesmo.
Bah..muito mulher e muita confusão, mas no fim da tudo certo
Saudades da Valentina e saudades de você também!

terça-feira, 22 de julho de 2008

As histórias sempre se repetem

Eu leio alguns dos textos que escrevi no passado e as histórias se repetem. Isso me dá um medo, uma angústia, será que eu continuo sendo a mesma pessoa para as histórias se repetirem assim, tão iguais?
Putz, logo eu que não tenho medo de mudanças, que anseio por elas. Mas tu quer ver isso.
"Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso. Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz partedo amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, etc, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto bregana sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira...). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina. Que a sua remela seja sequinha e não gosmenta e que o tempo leve um pouco de seu cabelo (adoro carecas...). Que suas escatologias não passem de piada e se materializem bem longe de mim. Tem que gostar de crianças, de cachorrinhos, da minha mãe, e tem que odiar ver pessoasprocurando comida no lixo. Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho (ou seja, não explodir por nada mas também não calar por tudo). Tem que ser meio artista, mas também ter que saber cuidar dos meus problemas burocráticos. Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela carade “essa mulher é única”.
Isso eu escrevi sobre o amor , sobre o possível amor da minha vida, que ainda não chegou e que eu não desejo mais tanto assim, mas que se desejasse, seria assim.
Dai eu leio outro texto que falo sobre meus amigos. E me deparo com isto.
"Não quero que todos sejam iguais a mim, mas é tão triste ver os amigos lá longe. Eles estão vivendo suas vidas, talvez estejam felizes, talvez eles tenham se acalmado e cansado das porradas da vida, mas só me parece que eles cansaram de tentar. Cansaram do furacão e querem uma casinha arrumadinha e uma cama quentinha. Não há mais nada em comum entre nós, os silêncios são constrangedores, eu não sei mais o que dizer, tenho vontade de dizer “mas por que você está fazendo isso, por que parou de tocar, de escrever, por que não tenta publicar o seu livro, por que não arruma outra banda, por que, por que, por quê?” Mas isso seria doloroso para eles e para mim, eu não quero criticar a escolha de ninguém, não quero desestabilizar a vida de ninguém, mas ao mesmo tempo tenho uma incontrolável vontade de chacoalhar todo mundo e dizer EI, EI, O QUE ACONTECEU??? Porque eles não me parecem felizes. Eles me parecem mortos. Carregam um peso nas costas, o peso dos sonhos abandonados no meio, o peso da frustração. O peso da vida que deixaram para trás porque quiseram, porque escolheram não viver mais intensamente. "
E eu olho para trás e olho para frente e não vejo nada além disso que foi escrito´há anos atrás, me desculpem se estou equivocada. Desculpa nada. mas é isso

quarta-feira, 16 de julho de 2008

nasci pássaro

As vezes eu acordo assim, meio de banzo, com uma sensação de infelicidade absoluta, de loucura iminente, de insatisfação permanente.
não gosto disso, ainda mais quando está um dia lindo lá fora, como hoje.
Parece início de verão, nao consigo parar de pensar em Floripa, a Valentina tira férias daqui uns dias e quero levá- la pra lá. Desde criança tenho essas angústias que vem do nada, e ainda não aprendi a lidar com elas. Como se eu precisasse voar, voar...que coisa.
Mas vai passar.

sábado, 12 de julho de 2008

Que bom viver, como é bom sonhar
E o que ficou pra trás passou e eu não me importei
Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido
Ainda vejo o mundo com os olhos de criança
Que só quer brincar e não tanta "responsa"
Mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
Um dia eu espero te reencontrar numa bem melhor
Cada um tem seu caminho, eu sei foi até melhorIrmãos do mesmo Cristo, eu quero e não desistoCaro pai, como é bom ter por que se orgulhar
A vida pode passar, não estou sozinho
Eu sei se eu tiver fé eu volto até a sonhar
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus que nunca acaba
O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus... que nunca acaba
Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor
Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor
Eu vou com você pra onde você for
Eu descobri que é azul a cor da parede da casa de Deus
E não há mais ninguém como você e eu

sexta-feira, 11 de julho de 2008

"...Só ir embora. Eu só queria ir embora. Não, tô fora de continuar sempre no mesmo lugar, me roubando minhas próprias histórias. Não. Não quero mais mudar ou fantasiar ninguém. Deixa o mundo ser como é. Deixa ele ser como ele é. E só. Eu já podia ir embora. Mas não conseguia. Por quê? Minha mente é burra. A mente é automática, viciada, comandada, acostumada, burra. minha mente está congelada na menina de maria-chiquinha, que tinha medo de ficar longe da mãe, ainda que morresse de medo dos gritos dela. E de novo sinto um medo filho da puta. E é por isso que quando ele, a pessoa que eu mais amei no mundo pois amei sem os bloqueios e sem a amargura que veio depois de tanto amor, me pede pra ficar, eu fico. E depois vou de novo. Não quero mais as minhas repetições seguras e infelizes. Ainda que encarar um coração vazio seja mais assustador do que mãe brava, cidades estranhas e amores eternos que acabam..."

sábado, 21 de junho de 2008

Aqui não tem Casas Bahia

Uso o título aí em cima de subterfúgio pra começar este texto que fala de Passo Fundo, de mudanças, de escolhas, de anjos e demônios. E falar de mim, que é a única coisa que sei falar com absoluta convicção. Bem, nem tanto. Enjoo fácil de tudo é e muito ruim pra mim que sempre me achei "senhora da minha vidai" ter que admitir isso sem refletir se isso não é sinal de superficialidade. Mas não é. E tá sendo doloroso pra mim ter que me acostumar com isso.
Com esse "bicho" que tem dentro de mim que faz enjoar de comidas, lugares, pessoas. Não posso olhar salgadinho, melancia, cachorro-quente, por exemplo. Não sei explicar como isso se desenvolveu, então pesquisando no meu arquivo de memória achei uma explicação simples: comi demais essas coisas e agora não posso nem ver na frente.
Essa relação estranha com determinados alimentos me faz refletir que não enjoo só de alimentos, enjoo de lugares, da rotina, de ter que fazer as mesmas coisas. Outro exemplo que dou é que jamais poderia trabalhar em qualquer função como concursada, simplesmente porque fazer a mesma coisa o resto da vida me mataria.
Mas bem, onde estava. Quero falar sobre como é voltar. Voltar para casa depois de um ano e meio fora, voltar para casa dos pais, isso é muito estranho e não consigo me acostumar. É estranho voltar pra cidade que eu amo e para as pessoas que eu amo e não me sentir mais daqui. Como é pertencer?Não pertenço mais aqui, apesar de ainda não ter certeza se é aqui que quero ficar. Mas, quando fui demitida, sim, fui demitida e é sobre isso que também vou falar.Me deu um alívio no coração e a primeira coisa que senti é que tinha que correr desesperadamente pra cá.
Fui demitida porque eu tinha enjoado do meu trabalho há meses, e apesar de estar fazendo ele com total carinho e dedicação de sempre, aquilo tinha virado uma rotina horrível pra mim. Morar com as meninas da igreja, depois de morar com meu namorado rockeiro foi uma experiência punk na minha cabeça. Foi uma coisa totalmente anormal, mas de alguma maneira eu sentia que tinha que passar por aquilo. E fui demitida porque a pastora não gostou quando eu disse que ia morar sozinha, deve ter sido isso. Bem, deixa pra lá. Deixa pra lá, porque esses dias assisti, com alguns anos de atraso, "O diabo veste Prada". É por aqui que eu ia começar este texto, mas enfim, queria dizer que este um ano e meio fora, dos quais fiquei 1 ano trabalhando para um grupo evangélico, sobre as ordens de uma pastora em Porto Alegre foi totalmente aquele filme.Risos.
Me senti a própria personagem da menina que vai trabalhar na Vogue Americana e não tem nada a ver com aquele lugar. Mas, quem dera eu tivesse ido trabalhar na Vogue Americana e não ali dentro da igreja, porque nunca na minha vida me senti tão perto e tão longe de Deus. Nunca na minha vida vi as pessoas olharem para as minhas tatuagens e para meus sapatos com tanto desprezo, ai Deus, me perdoe, mas um dia eu vou escrever meu próprio "O Diabo Veste Prada" vocês verão. Quer dizer, lerão. Dez meses da minha vida submetida ao regime estranho de não ser quem eu sou.
Bem, eu tentei e adoro as meninas que moraram comigo. Até porque, ali eu era "a estranha no ninho" , a pessoa no lugar errado. Mas, entre mortos e feridos salvaram-se todos. Ou melhor exemplificando, me salvei.
Deus não tem nada a ver com isso, pois foram muitas as experiências com Ele. Obrigado por tudo meu Deus, por ter me salvo.
Ao Breno, porque a insanidade dele, a cocaína e as crises de ciúme me ajudaram a me manter equilibrada. Risos.
A idéia do livro não me saí da cabeça, o que vocês acham? Acho que o Edir Macedo ficaria muito empolgado em patrocinar a minha história, em dizer que aqui, o diabo não veste Prada, sobretudo, nem sabe o que ou quem é Prada.
Bem, sobre o filmezinho "gostoso de assistir" volto para refletir sobre as escolhas. É sobre isso que o filme fala, né? Sobre termos que vender nossa alma para sermos alguém? Não, acho que é sobre saber o que se quer, o que deseja. Você sabe o que deseja? Bem, as vezes eu acho que não sei. E talvez não saiba mesmo.
Mas, com certeza eu sei que não quero conviver com pessoas que julgam o meu caráter pelo preço que custa o meu sapato. Aliás, eu adoro sapatos. Qual o problema nisso? Não se pode ter bom-gosto, gostar de vestir-se bem e ser uma pessoa querida? Ser "do bem". Não se pode "ganhar bem" e não ter mau-gosto e ainda assim ter crises de insegurança e se maquiar bastante para disfarçar isso e esconder o que realmente importa no coração?
Ou salto-alto e maquiagem é incompátivel com bom caráter e alma exposta?
Bah, as vezes é muito difícil quando as pessoas não colaboram, quando a gente se esforça e isto é taxado com "querer aparecer".
Ufa... isto virou um desabafo? Bem, a quem possa interessar, estou em Passo Fundo, onde nem as Casas Bahia resistiu e teve que fechar as portas, e volto a falar disso, porque sempre tive a certeza de que as pessoas daqui jamais entrariam e comprariam nas Casas Bahia, pois pra elas o que me fez ser desprezada é o que mais importa. Mas, se me entendem bem, nem isso me importa. Sempre caguei para esses pequeno-burgueses.
Bah, será que estou mau-humorada? Nãoooooo. Estou feliz, por estar de volta. De volta ao ponto de onde parti e com as mesmas dúvidas e angústias de sempre e já querendo ir embora de novo.
Se alguém souber aí de um emprego onde eu possa morar perto do mar, usar salto alto num dia e Havainas no outro, me avise, por favor.
Se isto pareceu pra você um ranso, uma reclamação, to cagando para o que você pensa. Minha irmã diz que tenho "alma de cigana", mas você provavelmente ouvirá falar de mim.
Não percam as cenas do próximo capítulo.
Ah, antes de postar, quero dizer que amo muito um guri que ficou em Porto Alegre, amo da maneira mais singela e pura, sem maldade, ou com maldade, como queiram. Meu graaaande amigo Alan. Nem todo mundo é igual. E sempre fica saudades de alguém.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Mulheres e suas dores

Sexta-feira a noite e estou em casa.
O Globo repórter sobre a cidade de Israel está interessante, mas outra coisa me paralisa. Gisele Itié, interpretando Amy Winehouse, na Trip deste mes.
Nao consigo parar de olhar. Compro a Trip todos os meses e em geral os ensaios sensuais da revista nao sao a parte que me chama mais atençao.
Mas este chama atençao especial. Algo grita. Algo chama. Leio o texto que acompanha o ensaio e de repente acho a melhor definiçao de tudo. " E que esta é a grande loucura feminina, essa absoluta necessidade do olhar do outro, objeto de nossas inseguranças, nem sempre escolhido com bom gosto."
Paro aqui e faço uma reflexao. Só podia ser a Fernanda Young, mesmo eu nao sendo exatamente fa dela, mas tinha que ser ela para colocar no papel esta dor que sim, como diz o texto, todas nós mulheres carregamos. Esta dor que de um jeito ou de outro, da maneira mais singela, ou de forma gritante se manifesta. Paro a reflexao.
Resolvo que vou mandar este texto para Trip, lá nos comentários. Em agradecimento pelas fotos, pela sensibilidade, pela inspiraçao.
E vou colocar estes rabiscos no blog para que mais pessoas vejam o ensaio.
Esperam que vejam com os olhos que eu vi e nao só a beleza óbvia de Gisele.
Fragmentos do texto publicado na revista

"Mulheres que nao admitem sua dor- aquelas que sao perfeitamente esquecíveis- nao merecem nenhuma poesia, ou rascunho, ou rápida melodia, pois se recusam a abrir mao do conforto de uma farsa em nome de uma verdadeira vocaçao, a de sofrer belamente....
Nao há nada em Amy Winehouse que nao seja genuíno, e isso consegue ser gritante em sua música suave enquanto doce em sua aparencia rude.
Atraente e repugnante ao mesmo tempo. Linda e digna de pena. Ora, pode haver imagem mais explícita da crucial inconstancia feminina...
....Acho inclusive, que as próprias mulheres tem culpa nesse atraso. Notoriamente mais competitivas entre elas, nao competem apenas com a colega do lado, mas com todas as mulheres do mundo.
De Marilyn Monroe a Anna Nicole Smith, todas morreram sem uma amiga do lado...."

O texto de Fernanda Youg nao termina por aí, mas esta triste e também óbvia frase com que encerrei os fragmentos do texto acima é a mais dura realidade.
E tenho uma confissao a fazer. Só comecei a ter amigas mulheres depois que a Valentina nasceu, e mesmo assim, com o pé atrás. Os dois. Risos.
Isto nao quer dizer que eu nao tenha poucas e boas amigas, mas na dúvida, fico com as mulheres da minha família, já tao intensas e fortes e com suas vidas marcadas pela dor, pela coragem, pela capacidade de se expor e nao perderem o mistério.