“Para se fazer um bom café, é preciso estressar a planta, ela precisa viver uma crise que a faça acreditar que vá morrer e assim gerar boas sementes”. A natureza usa a crise como elemento transformador de qualidade. Os frutos saem melhores o quão mais forte for a percepção da crise.Isso nos exercita, nos dá musculatura para encarar melhor os desafios e talvez ser mais criativos, mais eficientes, mais ousados.
A origem mais profunda dessa crise é remota e se baseia em um processo de aceleração de consumo que o mundo passou a viver em algum momento dos anos 70. Passamos a consumir como sociedade em uma velocidade que não mais se apresentou como sustentável. Essa aceleração tem um poder entorpecente, pois cria um estado de ansiedade que não permite que nada se defina como detalhe, pois o movimento estabelece um ritmo que ofusca a percepção e torna a razão secundária. Nos últimos anos o que mais se falou sobre como o tempo passava rápido, mas o que essa afirmação traduzia era que vivíamos um processo de aceleração onde não mais conseguíamos entender o estado de nossa inércia.
O problema é que o futuro chegou e descobrimos que ele não estava mais lá, já o havíamos comido no passado. Aí vem a desaceleração, a perda da velocidade da velocidade. Desaceleração não é uma coisa essencialmente ruim. Em muitos aspectos ela nos dá a oportunidade de rever valores, refletir sobre os rumos e redirecionar destinos. As crises podem ser decantadoras, elas nos fazem agir e não mais procrastinar. Ela torna a mudança um imperativo, ela desconforta as pessoas e permite que a incerteza seja enfrentada com coragem.
O consumo desenfreado de recursos naturais abriu um precedente de descompasso entre homem e meio ambiente; a crise é uma impressionante oportunidade de consenso nesse campo. Ficou claro para todos que não existe solução isolada para nenhum país ou sociedade; o precedente de uma busca de solução coletiva para a crise é base que precisávamos para buscar pactos para os problemas que temos criado. O mundo precisa abandonar a mentalidade de clube pensar como comunidade. A crise incita a isso.
A crise abre uma oportunidade de pacificar, de esticar a mão e estabelecer pontes de compreensão e entendimento onde antes não ousaríamos adentrar. A crise tem o poder de fertilizar as sombras da sociedade ao deixar expor suas vulnerabilidades. Crise é transformação.
*este texto ciculará no Caderno ZH, 26 de junho, num especial que fiz sobre "empreendedorismo", peguei um gancho no Especial que a Revista Trip fez mes passado sobre a crise. O Título original é A crise poderá nos salvar. Mas ai já obtive resposta
este é um blog totalmente singular, egoísta, exclusivista. Nao espero aprovaçao, fas, aplausos. Escrevo porque considero isto o que faço de melhor. Bem, uma das coisas.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
sábado, 13 de dezembro de 2008
Ele não desistiu de voar
Não vou colocar título aqui, porque não sei nem sobre o que vou escrever. Todos os dias uma vontade louca de escrever me invade, toma conta de mim e não consigo escrever, e me assombram pensamentos de que não sei mais escrever, de que nunca soube.
Aí lembro da minha professora da primeira série do ensino fundamental encantada com meus textos. Aí tento me convencer de que sou boa nisso. De que não sei apenas fazer textos técnicos, textos para ganhar dinheiro.
De que sempre acreditei nisso, mas de repente tudo em que sempre acreditei me faz sentir estranha, me faz sentir em outro plano , me faz desejar ser outra pessoa, e sempre gostei tanto de ser eu.
Gostei sempre do desafio, porque uma vez a Valentina me fez refletir sobre um sentimento latente dentro de mim, ela disse assim para uma amiga minha, que hoje nem é mais amiga. "Tu pensa que é fácil ser filha da Fernanda? Não é Não!" Ela devia ter uns 6,7 anos quando disse isso a tal amiga e foi um choque para mim. Isso me fez avaliar e chegar a duas constatações que eu já tinha chego "não sou uma boa mãe!" e "não é fácil ser eu, não é fácil fazer sua vida baseada única e exclusivamente nos desejos do seu coração".
Sou muito egoísta para ser mãe, mas não sou egoísta no sentido de ser "apegada", pelo contrário, a cada dia estou mais desapegada das coisas, sei perder com tranquilidade, sei deixar para trás aquilo que me faz mal, ou aquilo que me faz bem, porque nem sempre minhas escolhas são baseadas "no que me faz bem", no que é politicamente correto. Sei abandonar. Sei sangrar.
E é justamente nesse sentido que não estou me reconhecendo. Dizem que o dever maior dos pais é ensinar a "criar raízes e voar" , mas me ensinaram apenas a criar raízes e tive que aprender o difícil ofício de voar sozinha.
Isso me lembra um outro epísódio. Um passarinho, filhote de Quero-Quero caiu de uma das árvores do pomar aqui de casa num desses temporais e ele estava aprendendo a voar. Com a queda ele ficou perdido, e ao mesmo tempo em que tentávamos recolocar ele e o ninho na árvore, ele se atirava de novo, numa sequência terrível que durou horas e dias. Mudamos o ninho de árvore, os pais dele andavam cercando a gente e só observavam. Numa das noites, o passarinho dormiu aqui dentro de casa, dentro de uma caixa de papelão semi-aberta e meus pais emprestaram o quarto deles para que os pais dele pudessem visitá-lo, pela janela, com tranquilidade e não abandonar o filhote.
Coisa de gente especial.
No dia seguinte, colocamos ele novamente na árvore. Mas, quando fomos vê-lo a tarde, ele havia morrido. Não sei se os pais o mataram, nunca ficamos sabendo o que aconteceu.
Mas, o que ficou na minha recordação é que em nenhum momento ele desistiu de aprender a voar, mesmo machucado, mesmo carente de seus pais, mesmo fora do lugar de onde deveria estar, ele continuava na tentativa de alcançar um vôo mais alto.
E eu sou assim, o tempo todo.
Não deve ser muito fácil ser minha filha, nem minha mãe, nem meu namorado, nem meu amigo.
A Valentina tem razão, como sempre.
Peço somente a sabedoria de saber a direção e a força de saber levantar toda vez em que cair da árvore.
Aí lembro da minha professora da primeira série do ensino fundamental encantada com meus textos. Aí tento me convencer de que sou boa nisso. De que não sei apenas fazer textos técnicos, textos para ganhar dinheiro.
De que sempre acreditei nisso, mas de repente tudo em que sempre acreditei me faz sentir estranha, me faz sentir em outro plano , me faz desejar ser outra pessoa, e sempre gostei tanto de ser eu.
Gostei sempre do desafio, porque uma vez a Valentina me fez refletir sobre um sentimento latente dentro de mim, ela disse assim para uma amiga minha, que hoje nem é mais amiga. "Tu pensa que é fácil ser filha da Fernanda? Não é Não!" Ela devia ter uns 6,7 anos quando disse isso a tal amiga e foi um choque para mim. Isso me fez avaliar e chegar a duas constatações que eu já tinha chego "não sou uma boa mãe!" e "não é fácil ser eu, não é fácil fazer sua vida baseada única e exclusivamente nos desejos do seu coração".
Sou muito egoísta para ser mãe, mas não sou egoísta no sentido de ser "apegada", pelo contrário, a cada dia estou mais desapegada das coisas, sei perder com tranquilidade, sei deixar para trás aquilo que me faz mal, ou aquilo que me faz bem, porque nem sempre minhas escolhas são baseadas "no que me faz bem", no que é politicamente correto. Sei abandonar. Sei sangrar.
E é justamente nesse sentido que não estou me reconhecendo. Dizem que o dever maior dos pais é ensinar a "criar raízes e voar" , mas me ensinaram apenas a criar raízes e tive que aprender o difícil ofício de voar sozinha.
Isso me lembra um outro epísódio. Um passarinho, filhote de Quero-Quero caiu de uma das árvores do pomar aqui de casa num desses temporais e ele estava aprendendo a voar. Com a queda ele ficou perdido, e ao mesmo tempo em que tentávamos recolocar ele e o ninho na árvore, ele se atirava de novo, numa sequência terrível que durou horas e dias. Mudamos o ninho de árvore, os pais dele andavam cercando a gente e só observavam. Numa das noites, o passarinho dormiu aqui dentro de casa, dentro de uma caixa de papelão semi-aberta e meus pais emprestaram o quarto deles para que os pais dele pudessem visitá-lo, pela janela, com tranquilidade e não abandonar o filhote.
Coisa de gente especial.
No dia seguinte, colocamos ele novamente na árvore. Mas, quando fomos vê-lo a tarde, ele havia morrido. Não sei se os pais o mataram, nunca ficamos sabendo o que aconteceu.
Mas, o que ficou na minha recordação é que em nenhum momento ele desistiu de aprender a voar, mesmo machucado, mesmo carente de seus pais, mesmo fora do lugar de onde deveria estar, ele continuava na tentativa de alcançar um vôo mais alto.
E eu sou assim, o tempo todo.
Não deve ser muito fácil ser minha filha, nem minha mãe, nem meu namorado, nem meu amigo.
A Valentina tem razão, como sempre.
Peço somente a sabedoria de saber a direção e a força de saber levantar toda vez em que cair da árvore.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Frio
Tá frio hoje e não é apenas o vento que sopra lá fora.
Tá frio aqui dentro.
Eu quero tantas coisas, não se mais o que eu quero. Canso de ser desconexa, canso do salto alto, canso das maquiagens, canso, canso, canso.
Olho as minhas unhas destruídas, as olheiras enormes, o chinelo nos pés que não combinam com o casaco de repórter. Mas é assim que quero ficar. Hoje não estou com vontade nenhuma de alimentar minha vaidade.
Quero uma rede sossegada, quero voltar pra casa, quero ficar, quero Floripa pra sentir o cheiro do mar e recordar, quero vistar Porto Alegre e ver meus amigos que ficaram por lá. Mas a vida não é apenas recordar, ela é pra se viver, sentir. Sinto tudo tão intensamente hoje.
Os caminhos mais difíceis são os caminhos do coração que decidi trilhar, porque jamais sei onde eles vão me levar.
Estou me sentindo desprotegida, nada me dá medo, nem o desconhecido lugar onde estou. A falta de carinho, de afeto, está me fazendo mal. Preciso de colo, preciso de estabilidade, preciso sentir meu coração pulsando, porque hoje estou sentindo um pouco de morte dentro da minha alma.
Estou me sentindo abandonada e odeio tudo que escrevo.
Era melhor escrever sobre minhas putarias. Mas hoje isso não me faz bem. Não sei mais o que me faz bem. Quero andar descalça na grama. Não sei se é o cansaço que me deixa triste ou minha tristeza que me deixa cansada.
Isso tudo, este texto maluco, esse banzo total, esse sangue que não vem, minha rotina alterada.
Eu sou a pessoa mais intensa que conheço, mas não me reconheço mais.
Cadê os meus amigos, cadê os meus amores?
Eu preciso de um abraço, de uma flor, de um cheiro no cangote da minha menina, minha Valentina, chimarrão na praça com Anderson e a Cássia, conversar e morrer de ciúmes e vontade de agarrar o Rafa, de dizer que para eles todos que quero ir embora de novo e enlouquecer minha mãe.
Estágio total de carência, de perda das referências, nenhum amigo não, e por mais louca que tenha sido a minha vida nos últimos 2 anos, nunca me senti tão abandonada...
Tá frio aqui dentro.
Eu quero tantas coisas, não se mais o que eu quero. Canso de ser desconexa, canso do salto alto, canso das maquiagens, canso, canso, canso.
Olho as minhas unhas destruídas, as olheiras enormes, o chinelo nos pés que não combinam com o casaco de repórter. Mas é assim que quero ficar. Hoje não estou com vontade nenhuma de alimentar minha vaidade.
Quero uma rede sossegada, quero voltar pra casa, quero ficar, quero Floripa pra sentir o cheiro do mar e recordar, quero vistar Porto Alegre e ver meus amigos que ficaram por lá. Mas a vida não é apenas recordar, ela é pra se viver, sentir. Sinto tudo tão intensamente hoje.
Os caminhos mais difíceis são os caminhos do coração que decidi trilhar, porque jamais sei onde eles vão me levar.
Estou me sentindo desprotegida, nada me dá medo, nem o desconhecido lugar onde estou. A falta de carinho, de afeto, está me fazendo mal. Preciso de colo, preciso de estabilidade, preciso sentir meu coração pulsando, porque hoje estou sentindo um pouco de morte dentro da minha alma.
Estou me sentindo abandonada e odeio tudo que escrevo.
Era melhor escrever sobre minhas putarias. Mas hoje isso não me faz bem. Não sei mais o que me faz bem. Quero andar descalça na grama. Não sei se é o cansaço que me deixa triste ou minha tristeza que me deixa cansada.
Isso tudo, este texto maluco, esse banzo total, esse sangue que não vem, minha rotina alterada.
Eu sou a pessoa mais intensa que conheço, mas não me reconheço mais.
Cadê os meus amigos, cadê os meus amores?
Eu preciso de um abraço, de uma flor, de um cheiro no cangote da minha menina, minha Valentina, chimarrão na praça com Anderson e a Cássia, conversar e morrer de ciúmes e vontade de agarrar o Rafa, de dizer que para eles todos que quero ir embora de novo e enlouquecer minha mãe.
Estágio total de carência, de perda das referências, nenhum amigo não, e por mais louca que tenha sido a minha vida nos últimos 2 anos, nunca me senti tão abandonada...
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Bolhas de sabão e purpurina
Nessa minha inconstância, eu gosto mesmo é de viver. De sentir o vento, fechar os olhos com os raios de Sol. Não importa se o vento mude a direção, eu quero estar em meio ao vendaval. Não importa se às vezes meu coração fique miudinho ou se às vezes não caiba em meu peito, eu quero viver. Sentir o chão com os pés, respirar as arvores. Quero sentir os sorrisos, os olhares, enxergar a alma. Eu quero poder chorar num dia e sorrir no outro. No outro pular, olhar o céu. Quero sentir os abraços, ouvir desabafos, correr. Eu quero sofrer, quero chorar de rir, gargalhar. Quero sentir a música, escutar histórias, desvendar segredos. Poder sentir o cheiro, o sussurro, tocar o céu, contar com as estrelas, dar boa noite à lua. Eu quero viver, cair, sentir a garoa. Quero correr riscos, brigar, gritar, enfrentar o mundo. Eu quero mudar de tom...
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Muita correria.Muito trabalho e ainda nem começou e o "pega pra capá"
Bem, experiência nova, a cidade é meio sem graça, mas meus colegas de traballho são ótimos, uma carioca, dois manézinhos, outro carioca e uma daqui mesmo.
Bah..muito mulher e muita confusão, mas no fim da tudo certo
Saudades da Valentina e saudades de você também!
Bem, experiência nova, a cidade é meio sem graça, mas meus colegas de traballho são ótimos, uma carioca, dois manézinhos, outro carioca e uma daqui mesmo.
Bah..muito mulher e muita confusão, mas no fim da tudo certo
Saudades da Valentina e saudades de você também!
terça-feira, 22 de julho de 2008
As histórias sempre se repetem
Eu leio alguns dos textos que escrevi no passado e as histórias se repetem. Isso me dá um medo, uma angústia, será que eu continuo sendo a mesma pessoa para as histórias se repetirem assim, tão iguais?
Putz, logo eu que não tenho medo de mudanças, que anseio por elas. Mas tu quer ver isso.
"Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso. Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz partedo amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, etc, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto bregana sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira...). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina. Que a sua remela seja sequinha e não gosmenta e que o tempo leve um pouco de seu cabelo (adoro carecas...). Que suas escatologias não passem de piada e se materializem bem longe de mim. Tem que gostar de crianças, de cachorrinhos, da minha mãe, e tem que odiar ver pessoasprocurando comida no lixo. Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho (ou seja, não explodir por nada mas também não calar por tudo). Tem que ser meio artista, mas também ter que saber cuidar dos meus problemas burocráticos. Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela carade “essa mulher é única”.
Isso eu escrevi sobre o amor , sobre o possível amor da minha vida, que ainda não chegou e que eu não desejo mais tanto assim, mas que se desejasse, seria assim.
Dai eu leio outro texto que falo sobre meus amigos. E me deparo com isto.
"Não quero que todos sejam iguais a mim, mas é tão triste ver os amigos lá longe. Eles estão vivendo suas vidas, talvez estejam felizes, talvez eles tenham se acalmado e cansado das porradas da vida, mas só me parece que eles cansaram de tentar. Cansaram do furacão e querem uma casinha arrumadinha e uma cama quentinha. Não há mais nada em comum entre nós, os silêncios são constrangedores, eu não sei mais o que dizer, tenho vontade de dizer “mas por que você está fazendo isso, por que parou de tocar, de escrever, por que não tenta publicar o seu livro, por que não arruma outra banda, por que, por que, por quê?” Mas isso seria doloroso para eles e para mim, eu não quero criticar a escolha de ninguém, não quero desestabilizar a vida de ninguém, mas ao mesmo tempo tenho uma incontrolável vontade de chacoalhar todo mundo e dizer EI, EI, O QUE ACONTECEU??? Porque eles não me parecem felizes. Eles me parecem mortos. Carregam um peso nas costas, o peso dos sonhos abandonados no meio, o peso da frustração. O peso da vida que deixaram para trás porque quiseram, porque escolheram não viver mais intensamente. "
E eu olho para trás e olho para frente e não vejo nada além disso que foi escrito´há anos atrás, me desculpem se estou equivocada. Desculpa nada. mas é isso
Putz, logo eu que não tenho medo de mudanças, que anseio por elas. Mas tu quer ver isso.
"Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso. Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz partedo amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, etc, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto bregana sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira...). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina. Que a sua remela seja sequinha e não gosmenta e que o tempo leve um pouco de seu cabelo (adoro carecas...). Que suas escatologias não passem de piada e se materializem bem longe de mim. Tem que gostar de crianças, de cachorrinhos, da minha mãe, e tem que odiar ver pessoasprocurando comida no lixo. Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho (ou seja, não explodir por nada mas também não calar por tudo). Tem que ser meio artista, mas também ter que saber cuidar dos meus problemas burocráticos. Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela carade “essa mulher é única”.
Isso eu escrevi sobre o amor , sobre o possível amor da minha vida, que ainda não chegou e que eu não desejo mais tanto assim, mas que se desejasse, seria assim.
Dai eu leio outro texto que falo sobre meus amigos. E me deparo com isto.
"Não quero que todos sejam iguais a mim, mas é tão triste ver os amigos lá longe. Eles estão vivendo suas vidas, talvez estejam felizes, talvez eles tenham se acalmado e cansado das porradas da vida, mas só me parece que eles cansaram de tentar. Cansaram do furacão e querem uma casinha arrumadinha e uma cama quentinha. Não há mais nada em comum entre nós, os silêncios são constrangedores, eu não sei mais o que dizer, tenho vontade de dizer “mas por que você está fazendo isso, por que parou de tocar, de escrever, por que não tenta publicar o seu livro, por que não arruma outra banda, por que, por que, por quê?” Mas isso seria doloroso para eles e para mim, eu não quero criticar a escolha de ninguém, não quero desestabilizar a vida de ninguém, mas ao mesmo tempo tenho uma incontrolável vontade de chacoalhar todo mundo e dizer EI, EI, O QUE ACONTECEU??? Porque eles não me parecem felizes. Eles me parecem mortos. Carregam um peso nas costas, o peso dos sonhos abandonados no meio, o peso da frustração. O peso da vida que deixaram para trás porque quiseram, porque escolheram não viver mais intensamente. "
E eu olho para trás e olho para frente e não vejo nada além disso que foi escrito´há anos atrás, me desculpem se estou equivocada. Desculpa nada. mas é isso
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